Por que tantas empresas fecham as portas mesmo vendendo bem? A verdade é que o problema quase nunca é a falta de clientes — e sim a falta de gestão financeira.
Segundo o Sebrae, a má administração do fluxo de caixa está entre as principais causas de falência de pequenos negócios.
Mas esse não precisa ser o seu caso. Para te ajudar a construir ou consolidar o seu negócio, preparamos uma lista com erros e mitos mais comuns sobre fluxo de caixa.
Se você já perdeu o sono tentando entender para onde foi o dinheiro ou sente que, por mais que trabalhe, nunca sobra nada, essa lista é para você.
20 mentiras sobre o fluxo de caixa
Antes de seguir para a lista, um aviso importante: talvez você se identifique com alguns desses erros e até se sinta um pouco ingênuo por já ter acreditado neles. Mas calma, tá tudo bem!
A maioria dos empreendedores começa sem um diploma em administração ou um curso de gestão financeira. E adivinha? Isso não significa que você não pode aprender e melhorar.
O objetivo aqui não é te julgar, e sim te ajudar. No final deste guia, você terá mais clareza sobre como evitar esses erros e, com isso, poderá tomar decisões financeiras muito mais inteligentes para o seu negócio. Vamos lá?
- Se o saldo da minha conta bancária está positivo, meu fluxo de caixa está saudável.
O saldo que você vê no seu extrato é como uma foto que captura um único momento da sua empresa, mas não conta toda a história.
Você pode ver um valor positivo agora, mas isso não significa que o dinheiro estará disponível quando você precisar.
O fluxo de caixa saudável não é determinado apenas pelo que existe no momento, mas pelo que está entrando e saindo ao longo do tempo.
Se os pagamentos forem maiores que os recebimentos nos dias seguintes, a empresa pode acabar sem dinheiro, mesmo que hoje o saldo pareça bom.
É por isso que confiar apenas no extrato bancário é um erro — ele mostra onde você está agora, mas não para onde está indo.
Assim, uma boa gestão de fluxo de caixa vai além de olhar o saldo da conta.
É preciso analisar os compromissos financeiros futuros, prever momentos de aperto e garantir que os prazos de recebimento e pagamento estão equilibrados.
- Fluxo de caixa positivo significa que minha empresa está lucrando.
Ah, se fosse tão simples assim… Ver dinheiro sobrando no caixa e achar que a empresa tá voando é um dos maiores auto enganos do mundo dos negócios. Quer ver?
Pensa numa loja de roupas que vendeu R$ 50.000 no mês e pagou R$ 30.000 em fornecedores e despesas. O saldo no caixa? R$ 20.000! Parece sucesso, né?
Mas e se eu te disser que, no mês que vem, tem uma fatura de R$ 25.000 chegando por conta de um estoque comprado a prazo? Ops… O que parecia lucro virou um buraco no orçamento.
Esse é o perigo de olhar só para o saldo do momento e ignorar o que ainda tem pra pagar.
- O fluxo de caixa só precisa ser analisado no fim do mês.
Se o empresário só olha para o fluxo de caixa no fim do mês, pode passar semanas tomando decisões erradas sem perceber.
Gastos desnecessários, pagamentos esquecidos e clientes inadimplentes vão se acumulando, e quando ele finalmente percebe, o estrago já está feito.
- Se estou vendendo muito, meu fluxo de caixa vai estar sempre positivo.
Uma loja de eletrônicos decide fazer uma super promoção e vende 500 televisores em uma semana. O caixa recebe uma enxurrada de dinheiro, e o dono comemora o sucesso.
Mas aí vem a surpresa: os fornecedores cobram à vista, enquanto os clientes pagaram tudo parcelado em 10x sem juros.
Resultado? O dinheiro da empresa fica preso, e ela não tem como pagar as contas básicas no mês seguinte.
Vender muito é ótimo, mas se o dinheiro demora para entrar e as despesas vêm primeiro, a empresa pode quebrar mesmo com um volume alto de vendas.
- Posso confiar no dinheiro que ainda não entrou.
Em 2023, segundo uma pesquisa da CDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), a inadimplência recorrente atinge 84,69% dos consumidores no Brasil.
Agora pense: se metade dos seus clientes pode atrasar pagamentos, faz sentido contar com esse dinheiro como se ele já estivesse na conta?
Muitas empresas quebram porque gastam hoje esperando receber amanhã, mas a inadimplência e os atrasos são realidades que não podem ser ignoradas.
Até o dinheiro cair, ele não é seu – e o fluxo de caixa precisa ser planejado levando isso em consideração.
- Eu posso pagar todas as minhas contas e depois ver o que sobra.
Pagar tudo de uma vez sem planejamento é como sair para uma viagem longa sem verificar o combustível do carro.
Pode ser que você chegue ao destino, mas pode ser que fique no meio da estrada sem um posto por perto.
Se a empresa quita todas as contas antes de analisar se haverá entrada suficiente nos próximos dias, pode acabar precisando de empréstimos ou atrasando pagamentos futuros.
O certo é organizar as saídas de acordo com o fluxo de entrada para não correr risco de ficar sem fôlego no meio do caminho.
- Não preciso de reserva de emergência se o fluxo de caixa estiver positivo.
Na pandemia, inúmeros negócios fecharam ou mandaram pessoas embora e em poucas semanas porque não tinham clientes ou reserva financeira.
Ter um saldo positivo hoje não significa que a empresa está protegida para o futuro.
Imprevistos acontecem – crises, quedas nas vendas, clientes inadimplentes – e quem não tem uma reserva financeira pode ver um negócio promissor desaparecer de uma hora para outra.
- Cartão de crédito é uma extensão do fluxo de caixa.
O cartão de crédito parece um salva-vidas, mas na verdade pode ser um buraco negro.
Ele permite adiar pagamentos, mas não elimina a necessidade de ter dinheiro para cobrir as despesas.
Se uma empresa se acostuma a pagar tudo no cartão, pode acabar entrando num ciclo de parcelamentos e juros que só cresce.
É como usar um balde para tirar água de um barco furado: pode adiar o problema, mas não resolve.
- Só preciso registrar os grandes gastos no fluxo de caixa.
Sabe aquele cafezinho de R$ 5? Parece insignificante, mas se a empresa compra cinco por dia, em um mês são R$ 750 indo embora sem controle.
Pequenos gastos acumulados podem gerar um impacto enorme no caixa. Empresas que não registram tudo, por menor que seja o valor, acabam perdendo o controle financeiro sem nem perceber. Quando dão falta do dinheiro, já é tarde demais.
- Se o fluxo de caixa estiver apertado, um empréstimo sempre resolve.
Segundo o Sebrae, a falta de controle financeiro é a principal causa do fechamento de 48% das micro e pequenas empresas no Brasil.
Muitos empreendedores, ao perceberem que o caixa está apertado, correm para pegar empréstimos sem analisar o real motivo do problema.
O resultado? Dívida em cima de dívida, com juros que só agravam a situação.
Se a empresa já tem dificuldades para pagar as contas, adicionar uma nova parcela ao orçamento pode ser o golpe final.
Em vez de depender de crédito, o primeiro passo é entender por que o fluxo de caixa está no vermelho e corrigir a raiz do problema.
- Negociar prazos com fornecedores não afeta o fluxo de caixa.
Na verdade, essa pode ser a diferença entre um caixa equilibrado e um desespero financeiro no fim do mês. Empresas que não ajustam os prazos de pagamento e recebem acabam sempre precisando de dinheiro extra para cobrir o vão, o que pode levar a empréstimos e juros desnecessários.
- Se eu atrasar um pagamento, depois eu cubro.
Uma vez que você atrase um pagamento, os juros e multas começam a corroer seu caixa. Pequenos atrasos podem parecer inofensivos, mas no final do ano podem representar milhares de reais jogados fora.
- O fluxo de caixa é um relatório apenas para o contador.
Um empresário que não acompanha seu fluxo de caixa é como um piloto que voa sem olhar os instrumentos do avião.
O contador pode organizar os números, mas é o dono do negócio que precisa usá-los para tomar decisões estratégicas.
Se o empresário só olha o relatório no fim do mês (ou pior, só quando dá problema), perde oportunidades de corrigir o curso antes que a situação fique crítica. Fluxo de caixa não é burocracia, é sobrevivência.
- Não preciso separar as finanças pessoais das empresariais no fluxo de caixa.
Um empresário que mistura as contas da empresa com as contas pessoais nunca sabe realmente quanto dinheiro o negócio está gerando.
Imagine um dono de padaria que paga suas contas de luz, mercado e escola dos filhos com o dinheiro do caixa.
Quando chega no fim do mês, não tem ideia de quanto realmente sobrou para a empresa.
Sem essa separação, fica impossível saber se o negócio está dando lucro ou se está só financiando as despesas pessoais do dono.
- Se minha empresa precisa de dinheiro, só preciso vender mais.
Uma loja de móveis pode vender 200 sofás em um mês e ainda assim ter problemas financeiros se os preços forem baixos demais ou se os custos estiverem altos.
O problema do caixa nem sempre está na quantidade de vendas, mas sim na margem de lucro e na forma de pagamento.
- Um cliente grande sempre melhora meu fluxo de caixa.
Ter um cliente grande pode parecer uma bênção, mas também pode ser um risco enorme.
Muitas empresas quebram porque dependiam de um único cliente que, de repente, parou de comprar ou atrasou os pagamentos.
Um exemplo real disso foi a crise de 2015, quando várias empresas menores que forneciam para grandes construtoras ficaram sem receber e tiveram que fechar as portas.
A diversificação de clientes é o que garante que a empresa não entre em colapso se um deles sumir.
- Se eu vender a prazo, não afeta meu fluxo de caixa.
Se vender a prazo não afetasse o fluxo de caixa, nenhuma empresa quebraria por falta de dinheiro.
Imagine um restaurante que serve 200 refeições por dia, mas só recebe dos clientes depois de 60 dias. Enquanto isso, precisa pagar fornecedores, funcionários e contas de água e luz todo mês.
- É melhor pagar todas as contas o quanto antes para ficar tranquilo.
Se pagar tudo antes fosse sempre a melhor opção, empresas não negociariam prazos com fornecedores. Manter dinheiro no caixa pelo maior tempo possível dá fôlego para imprevistos e permite investir em oportunidades.
- Se eu atrasar o pagamento de impostos, depois eu regularizo.
Segundo dados da Receita Federal, cerca de 6,8 milhões de empresas no Brasil possuem pendências, o que pode resultar em multas, juros e até restrições no CNPJ. Muitos empresários acreditam que podem atrasar e pagar depois sem grandes consequências, mas a realidade é que a dívida cresce rápido e pode inviabilizar o negócio.
- Empresas pequenas não precisam de planejamento de fluxo de caixa.
As micro e pequenas empresas geram 80% do emprego e são justamente essas que mais fecham nos primeiros anos por falta de organização financeira.
Um pequeno restaurante de bairro pode ter um movimento excelente, mas se não controlar entradas e saídas, pode gastar mais do que arrecada e fechar as portas sem nem perceber.
O tamanho do negócio não muda a necessidade de controle – quanto menor a empresa, maior o impacto de um erro no caixa.
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