25 perguntas e respostas sobre a Reforma Tributária para empresários e empreendedores

25 perguntas e respostas sobre a reforma tributária para empresários e empreendedores

Reforma Tributária é o assunto do momento — e também o motivo de muita dor de cabeça para quem empreende. No meio de tanta informação desencontrada, sigla esquisita e promessa de “agora vai”, é normal se sentir mais perdido que chinelo de bêbado.

Todo mundo diz que “você precisa se preparar”, mas ninguém explica como. Foi por isso que criamos este artigo: para responder às principais dúvidas que empresários, MEIs, profissionais liberais têm sobre a Reforma. E o melhor: sem juridiquês, sem enrolação e com exemplos que fazem sentido na vida real.

Pode seguir tranquilo. Aqui você vai entender desde quando a Reforma começa até o que muda nos seus contratos, sistemas, rotina e — principalmente — no seu bolso.

  1. Quando a Reforma Tributária entrará em vigor?

A primeira fase da Reforma começa a valer em 2026, mas não será tudo de uma vez. Até 2033, o sistema antigo e o novo vão funcionar juntos. Isso significa que, por um bom tempo, as empresas vão precisar lidar com dois modelos de cobrança de impostos ao mesmo tempo, o que pode confundir quem não estiver bem preparado.

  1. Vou pagar mais ou menos imposto com a Reforma Tributária?

Depende do tipo do seu negócio, onde você vende e como você se organiza. A alíquota geral somada dos novos tributos (CBS + IBS) deve ficar em torno de 26,5%, mas alguns setores terão redução de até 30% ou até 60% — como saúde, educação e alimentação.

  1. Quais setores vão pagar mais imposto e quais pagarão menos?

A alíquota cheia prevista é de 26,5%. Mas alguns setores terão desconto: profissionais liberais com CNPJ (como advogados, engenheiros, contadores) terão 30% de redução, pagando cerca de 18,55%

Já setores considerados essenciais, como saúde, educação e alimentos básicos, terão redução de 60%, pagando algo em torno de 10,60%.

Quem não se enquadra nessas reduções — como empresas de tecnologia, comércio em geral, marketing, consultorias — deve pagar a alíquota cheia. Vale conferir se sua atividade tem esse benefício antes de tomar decisões. 

  1. A Reforma irá afetar a diferença entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real?

Sim. Embora os três regimes continuem existindo, a Reforma reforça o uso de créditos tributários, o que favorece quem está no Lucro Presumido ou no Lucro Real. Esses regimes permitem acumular créditos e oferecer vantagens aos clientes. Já o Simples, mesmo sendo mais prático, fica fora desse benefício, o que pode diminuir a competitividade para quem atende empresas.

  1. O que é crédito tributário e como isso entra na Reforma Tributária?

É o direito de abater um imposto que você pagou em uma compra do imposto que você deve em uma venda. Com a Reforma, esse sistema vai ficar mais simples e automático. Mas só quem está fora do Simples Nacional poderá gerar e usar esses créditos.

Exemplo: você contrata um serviço e paga R$ 500 de imposto. Depois, vende algo e teria que pagar R$ 2.000 de tributo. Com o crédito, você abate os R$ 500 e paga só R$ 1.500. Isso ajuda muito no caixa — e empresas que conseguem oferecer esse benefício acabam sendo mais atraentes para o cliente.

  1. Como fica os dividendos ou distribuição de lucros com a nova Reforma?

A Lei Complementar nº 214/2025, que trata da Reforma Tributária sobre o consumo (instituindo a CBS e o IBS), não menciona mudanças na tributação de dividendos ou na distribuição de lucros, mas há discussões em andamento sobre o tema em projetos de lei distintos.

  1. Sou profissional liberal, como a Reforma Tributária vai me afetar?

Se você tem CNPJ, a Reforma vai te afetar diretamente. Profissionais como médicos, advogados, arquitetos e engenheiros terão uma redução de 30% na alíquota padrão, pagando algo em torno de 18,55%, ao invés dos 26,5%. Ainda assim, o valor é maior do que muitos pagam hoje. Se você estiver no Lucro Presumido, por exemplo, sua carga atual pode ser de 8,65%.

  1. Com a Reforma Tributária, ainda vale a pena ter CNPJ ou melhor repensar?

Vale, mas depende do seu faturamento, setor e tipo de cliente. Se você atende empresas, o CNPJ pode continuar sendo uma boa estratégia, principalmente fora do Simples, onde será possível oferecer crédito tributário. Agora, se você está no Simples e atende outras empresas, talvez valha revisar o regime tributário com um contador. 

  1. Vai ficar mais caro comprar mercadoria ou contratar fornecedor?

Pode sim. Com a eliminação de incentivos fiscais e a cobrança do imposto no destino, alguns produtos vão subir de preço e outros podem baratear. Se você compra de outro estado, pode ser impactado por uma alíquota maior. Vai depender da localização do fornecedor e do tipo de produto.

  1. O que muda na nota fiscal?

A principal mudança é que os novos impostos (CBS e IBS) virão destacados “por fora”, ou seja, separados do valor do produto ou serviço. Isso dá mais transparência, mas pode causar estranhamento no cliente, que verá o imposto mais evidente. Em alguns casos, haverá até recolhimento imediato após a emissão da nota, o que exige mais atenção ao fluxo de caixa.

  1. Quem vende pela internet ou para outros estados vai ter mais imposto com a Reforma?

Pode ter sim. Com a nova regra de cobrança no destino, o imposto será recolhido no estado onde o cliente está, e não mais onde a empresa está sediada. Se você vende para estados com alíquotas mais altas, seu preço pode subir — e sua margem pode cair. Isso vale tanto para e-commerce quanto para prestadores de serviço. Quem vende para o Brasil inteiro precisa ficar atento e talvez repensar precificação e logística.

  1. Quem vende pra fora do Brasil vai continuar sem imposto?

Sim. As exportações continuam isentas de CBS e IBS, e agora essa isenção será automática, o que torna o processo mais simples. Mas atenção: é preciso comprovar documentalmente que o serviço ou produto foi realmente destinado ao exterior. Ou seja, continua livre de imposto, mas não livre de burocracia.

  1. Tenho uma clínica ou consultório: como a Reforma Tributária vai impactar meu dia a dia?

Clínicas e consultórios estão entre os setores que terão redução de 60% na alíquota padrão, o que significa pagar algo em torno de 10,60%, em vez dos 26,5%. Isso é positivo. Mas, por outro lado, será necessário acompanhar de perto a nova forma de recolhimento, emissão de nota e crédito tributário, principalmente se você atender planos de saúde ou outras empresas. O ideal é preparar o time contábil e revisar os sistemas.

  1. Eu vendo online. Como vai ficar o imposto nas plataformas (tipo Shopee, Mercado Livre)?

Ainda não está totalmente definido, mas há previsão de que as plataformas — como Shopee, Mercado Livre e outras — assumam mais responsabilidade na hora de recolher os novos impostos. Isso pode funcionar assim: no momento da venda, parte do valor pago pelo cliente já seria separada automaticamente para o governo, sem passar pela sua empresa primeiro. Esse modelo é chamado de split payment, ou seja, o pagamento é “dividido” entre você e o fisco.

Isso pode facilitar a arrecadação, mas exige atenção. Se você vende por essas plataformas, precisará entender como esses valores serão repassados e garantir que isso não afete seu lucro sem você perceber.

  1. O que muda na hora de pedir financiamento ou crédito com banco?

A Reforma pode ajudar, mas só se sua empresa estiver com a contabilidade organizada. Como o sistema ficará mais claro e os tributos mais diretos, as empresas que acumularem créditos ou tiverem boa previsibilidade podem parecer mais confiáveis para bancos. Mas, no curto prazo, a transição pode confundir os bancos, e isso pode dificultar as análises. 

  1. Quem vende comida, remédio ou dá aula vai pagar menos mesmo?

Sim. Esses setores entram na lista de atividades com 60% de desconto na alíquota, segundo a proposta da reforma. Isso inclui quem trabalha com alimentos da cesta básica, medicamentos registrados na Anvisa, educação e serviços de saúde. Mas para ter esse benefício, é necessário cumprir as exigências legais e comprovar a atividade corretamente. Isso não vai ser automático para todo mundo.

  1. Presto serviços, como a Reforma Tributária impacta no meu faturamento?

Depende do regime que você está e do tipo de cliente que atende. Se você está no Simples e atende empresas, pode perder competitividade, já que não gera crédito tributário para seus clientes. Isso pode afetar a sua demanda. Agora, se estiver no Lucro Presumido ou Real, a nova regra pode até melhorar sua margem, caso consiga acumular créditos e usá-los para pagar menos imposto

  1. Ferramentas como ERP ou emissão de nota fiscal vão precisar de atualização?

Sim. Com a entrada da CBS e do IBS, será necessário incluir os novos tributos no sistema de emissão de notas e adaptar o ERP para calcular, registrar e separar corretamente esses impostos “por fora”. Além disso, quem vende para vários estados vai precisar que o sistema reconheça a alíquota do estado do cliente, não da empresa.

Se o seu sistema atual não for atualizado, você corre risco de recolher errado ou deixar de aproveitar créditos — o que pode sair caro. 

  1. Vai ter mais burocracia para declarar e pagar os novos impostos?

No início, sim. Durante a transição (2026 a 2033), sua empresa vai conviver com o sistema antigo e o novo ao mesmo tempo. Isso significa mais regras, mais relatórios e mais atenção. Mas depois que a mudança for concluída, a expectativa é de menos obrigações acessórias e uma estrutura tributária mais simples.

  1. A Reforma vai acabar com os incentivos fiscais estaduais?

Na prática, sim. Como o imposto será cobrado no estado onde o cliente está, os benefícios dados pelos estados para atrair empresas perdem efeito. Isso pode impactar quem escolheu sede, filiais ou fornecedores com base nesses incentivos.

  1. A Reforma muda alguma coisa para quem atua como pessoa física e não tem CNPJ?

Não muda quase nada. Quem trabalha como autônomo vai continuar pagando como pessoa física, normalmente via carnê-leão ou com retenção na fonte. Mas com a Reforma favorecendo empresas que emitem nota com crédito, pode valer a pena pensar na formalização para não perder espaço no mercado.

  1. Quem presta serviço em vários estados vai ter que recolher imposto em cada um?

Sim. Com a nova regra, o imposto será cobrado no estado do cliente, e cada estado pode ter alíquotas diferentes. Isso exige mais controle sobre onde seus clientes estão e quanto de imposto você está recolhendo para cada lugar. Quem presta serviço online ou via contrato remoto precisa se preparar.

  1. Se minha empresa tiver prejuízo, consigo recuperar os impostos pagos?

Sim, desde que esteja em um regime que permite acúmulo e compensação de créditos. Isso é possível no Lucro Real ou Presumido. Se você pagar mais imposto do que deve ou tiver prejuízo, pode usar esses créditos para abater tributos futuros. No Simples, isso não é possível.

  1. Durante a transição, vou ter que pagar imposto em dobro?

Não. Você não vai pagar imposto duas vezes sobre a mesma operação, mas vai precisar acompanhar os dois sistemas ao mesmo tempo. Por exemplo, pode ter que emitir nota com os tributos antigos e, ao mesmo tempo, calcular o novo. Ou seja: não é o dobro de imposto, mas pode ser o dobro de trabalho.

  1. O que eu tenho que fazer AGORA pra não ser pego de surpresa com a Reforma Tributária?

Primeiro: descubra se sua atividade terá alíquota reduzida. Segundo: entenda se você gera ou consome créditos tributários. Terceiro: revise seu regime tributário — Simples, Presumido ou Real — com alguém que realmente entenda do assunto.

A transição já tem data para começar. E empresas que se anteciparem vão ter mais controle, menos custo e menos susto. Você prefere entender agora ou correr atrás do prejuízo depois?

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Cada negócio é diferente — e o que vale para um, pode ser prejuízo para outro. Se você quer parar de adivinhar e começar a agir com clareza, fale com a nossa equipe. Vamos analisar o seu caso, avaliar os impactos e montar um plano de ação personalizado para sua realidade.

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