Se você é empresário ou empreendedor, a transição para a Reforma Tributária não é uma escolha, é a realidade. As mudanças já começaram a ser implementadas, e quem ainda não se adaptou pode acabar pagando por isso. Literalmente.
O risco não está só em pagar imposto a mais. Está em perder competitividade, entrar num regime errado, enfrentar autuações ou ver a margem de lucro escorrendo pelo ralo por pura falta de orientação.
Mas nem tudo está perdido, a reforma pode, sim, representar uma chance de organizar melhor seu negócio e até economizar. Mas só pra quem está preparado. E isso passa, primeiro, por saber o que não fazer.
Neste artigo, você vai conhecer 6 erros que podem custar caro nessa transição e o que fazer agora para evitar cada um deles.
- Ignorar a reforma tributária achando que não vai afetar o negócio
Seguir ignorando a reforma é como atualizar o cardápio sem avisar o garçom: mais cedo ou mais tarde, alguém vai sair com a conta errada. A verdade é simples. A transição já começou, com fase de testes em andamento, e vai até 2033
Isso significa que, sim, TODO tipo de negócio será impactado. Seja você uma microempresa que vende coxinha ou uma distribuidora interestadual.
A mudança envolve novos tributos (CBS e IBS), mudanças no fluxo de caixa, na emissão de notas ou na forma de calcular o imposto. Então vale a pergunta: sua empresa está esperando o problema bater na porta ou já começou a se preparar?
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- Optar pela unificação do IBS e CBS no Simples sem entender as consequências
Se tem algo que a reforma mexe de verdade, é na lógica que sustentava a escolha entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.
Com as novas regras, o que antes era vantajoso pode deixar de ser. O exemplo mais evidente está no Simples Nacional, que, apesar do nome, agora ficou menos “simples” para quem vende para outras empresas.
Empresas do Simples Nacional já pagam vários impostos em um único boleto chamado DAS (Documento de Arrecadação do Simples). Hoje, esse boleto inclui tributos como IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ICMS e ISS, tudo somado numa única alíquota.
Com a reforma tributária, surgem dois novos tributos: CBS (federal) e IBS (estadual/municipal). A lei vai permitir que a empresa do Simples escolha entre:
- Incluir a CBS e o IBS dentro do DAS, ou seja, seguir pagando tudo junto, de forma unificada.
- Ou pagar a CBS e o IBS separadamente, como empresas maiores fazem.
A primeira opção parece mais prática, certo? Afinal, continua tudo num boleto só.
Porém, um detalhe super importante: seus clientes não vão conseguir usar esses impostos como crédito nas operações deles.
E por que isso importa? Porque gerar crédito é uma das maiores vantagens da nova tributação.
Isso é um problema especialmente se você vende para empresas maiores, porque elas costumam escolher fornecedores que permitem esse desconto, é uma forma de pagar menos imposto no fim das contas.
Imagina que você vende um produto por R$100, e seu concorrente também. Só que, ao comprar de você, o cliente não consegue recuperar nenhum imposto. Mas com o concorrente, ele recupera R$10 em crédito.
Resultado? Mesmo com o mesmo preço, você parece mais caro. E quem parece mais caro… vende menos.
O ideal é revisar seu enquadramento com um contador que compreenda o novo cenário, antes que os efeitos comecem a aparecer no faturamento.
- Desconsiderar a perda de incentivos fiscais estaduais e municipais
A criação do IBS tem como um de seus objetivos encerrar a chamada “guerra fiscal” entre estados e municípios. Isso implica, na prática, a eliminação gradual de incentivos fiscais vinculados ao ICMS e ISS.
Se a sua empresa está localizada em uma região que oferece algum tipo de benefício, esse diferencial competitivo pode estar com os dias contados.
Se o seu negócio depende de vantagem fiscal para manter seus preços competitivos… É melhor já ir tirando o cavalinho da chuva.
Com a chegada do IBS, os estados e municípios não vão mais poder oferecer essas isenções, reduções e incentivos do jeito que faziam antes.
E se as contas só fecham porque seu preço tem esse descontinho estadual… bom, digamos apenas que é melhor rever isso aí.
- Adiar a atualização dos sistemas de gestão e emissão de notas
Deixar para atualizar o sistema só quando o novo modelo entrar em vigor é tipo Seu Madruga enrolando para pagar o aluguel. Ele deixa pra depois e quando vira problema quem vem cobrar é a Dona Multa. Ops! Seu Barriga.
A questão é que a CBS e o IBS vão mudar a estrutura da nota fiscal, os códigos utilizados, o sistema de apuração e a forma como a Receita acompanha sua empresa digitalmente
Mas atenção: isso não vai afetar todo mundo de forma igual. Quem está no Lucro Presumido, Lucro Real e até parte do Simples Nacional (especialmente empresas que vão pagar CBS e IBS fora do DAS) precisa se preocupar desde já.
Já o MEI, nesse momento, fica fora da mudança, pois continua com sua sistemática simplificada. Mas se você vende para empresas maiores ou está próximo de ultrapassar o limite do MEI, vale o alerta: o que hoje não te afeta pode te pegar logo ali na esquina.
- Subestimar a complexidade da apuração em dois sistemas durante a transição
Entre 2026 e 2033, o empresário vai ter que conviver com dois sistemas tributários ao mesmo tempo: o atual (PIS, Cofins, ICMS e ISS) e o novo (CBS e IBS). Ou seja, será preciso apurar, declarar e controlar dois conjuntos de tributos paralelos — por anos.
Se a sua empresa já acha difícil lidar com um sistema só, imagina dois rodando juntos. Esse é o tipo de mudança que é difícil fazer sozinho, na pressa ou com a calculadora do celular.
Se a contabilidade da empresa não estiver preparada, sobra confusão, erro e risco de pagar a mais ou ser autuado.
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- Não fazer um planejamento tributário personalizado.
A reforma tributária veio para simplificar o sistema. Mas simplificar não significa que tudo vai ficar mais barato ou mais fácil automaticamente.
A verdade é que ela vai mudar o jeito como sua empresa paga impostos e, dependendo de como você se organiza, isso pode significar pagar MAIS… ou ECONOMIZAR muito. E é aí que entra o planejamento tributário.
O Planejamento Tributário é o que permite entender, com base no que a sua empresa fatura, como você emite nota, onde atua, para quem vende e como opera, qual é o melhor caminho fiscal a seguir agora e no futuro.
Com a chegada da CBS e do IBS, por exemplo, pode ser que você precise:
- mudar seu regime tributário
- revisar seus preços
- ou até alterar a estrutura da empresa para continuar competitivo
E isso não se faz no chute nem com achismo. Um bom contador consegue te mostrar tudo isso com números, de forma clara, e apontar caminhos que você talvez nem saiba que existem.
A ROI Contabilidade, escritório com mais de 30 anos de experiência, tem uma equipe especializada exatamente neste momento de transição tributária. A gente entende o que muda, e principalmente, o que dá pra melhorar.
O planejamento tributário e financeiro por aqui é uma análise personalizada, com base no seu negócio, nos seus números e nos caminhos possíveis para você pagar menos imposto de forma legal, segura e estratégica.